Justina talvez foi uma das mulheres mais feias que já habitou o planeta Terra. Não por que ela realmente era feia, mas por que ela se sentia a mulher mais feia que já habitou o planeta. Sempre algo estava erradíssimo, seu lábio inferior era grande demais, o quadril largo demais, os pés enormes demais, talvez o cabelo curto demais. O fato era que Justina se odiava, odiava seu corpo, sua voz, sua altura, mas, no fundo, Justina se amava, isso é o que a faz tão interessante.
Não preciso descrever Justina, cada um que ler imaginará a Justina que lhe cabe na cabeça.
Justina trabalhava num galpão, descarregando caminhões de cosméticos para a maior fábrica do país, era um bom trabalho, ela podia passar um bom tempo sozinha, longe de homens, mulheres, chefes, outros empregados, esse galpão era enorme, e o que ela fazia era transferir as caixas do lugar A ao lugar B, bem simples. Fato nº1: Ela era obrigada a encarar todas aquelas belas mulheres nas embalagens de cosméticos.
No seu tempo livre, gostava de ir até o shopping da cidade, entrava em lojas de roupa de grife (não da C&A, ou da Riachuelo, aquelas grifes que o vendedor te atende o tempo todo) e ficava experimentando dúzias de roupas: calças, vestidos, sapatos, acessórios, tudo. As vendedoras (Fato nº2: Justina só escolhia vendedoras) sempre elogiavam como uma roupa caía bem em seu corpo, ou como esse sapato ia bem com essa outra blusa, ou aquela outra bolsa que está na vitrine ia ficar tãaao bonita com esse Jeans, etc... a cada elogio, a parte que se amava entrava em transe, Justina encarava a vendedora, falava "É mesmo?", e a vendedora "Claro, o caimento dessa blusa é perfeito em você". Ao fechar a porta dos provadores e se olhar no espelho, um sentimento de culpa caía sobre ela "É a última vez que faço isso", ela pensava toda vez (Fato nº3: Parte dela se odiava por fazer isso). E depois, já com suas roupas de costume, ela fazia as vendedoras colocarem-nas no caixa e fazia sua pequena cena "Oh, deixei o cartão de crédito em casa, vou sacar o dinheiro e já volto, só tenho isso aqui" e deixava 20 reais no balcão, por dó das vendedoras, e por que assim, ela podia sustentar seu vício com uma culpa a menos para lidar.
Então os dias passavam, sempre numa luta interna, Justina ao se olhar no espelho em casa corria pro shopping, como se os elogios (mesmo que falsos, tanto faz) fossem a sua droga, como se isso fosse a única coisa que a fizesse se sentir bem, fazer o que, ela se sentia uma rainha quando duas mulheres vinham elogiá-la, trocar seus sapatos, ensiná-la a usar as roupas, era seu vício, mas terrivelmente errado.
Morava sozinha, num apartamento no centro da cidade, o apartamento era escuro, as luzes da cidade inundavam o quarto à noite, não deixando-a dormir, as únicas coisas de valor que Justina tinha eram um espelho de corpo inteiro e uma televisão, o espelho ficava ao lado da TV, para que ela se comparasse sempre com a estrela da novela, um modo muito cruel de tortura estética que Justina se auto-inflingia, enquanto tomava sorvete na frente do aparelho, muitas vezes adormecia com a roupa que chegou do trabalho, e chorava quase todas as noites, não por que nenhum homem ia querer um trubufu daqueles (palavras da própria), mas por que ela mesma nunca ia se aceitar.
O ano era 2007, Justina experimentava calças e sapatos na Opera Rock, notou um rapaz segurando um casaco feminino, que a olhava fixamente, na hora não pareceu lógico o jeito que aquele homem de uns 20 anos podia ver algo nela, continuou a experimentar as calças, cada vez mais apertadas e os sapatos cada vez mais vermelhos, e aquele homem continuava olhando, que falta de respeito. Ao sair de novo do provador, já com suas roupas normais, ela se preparava para a atuação, é aí que o homem se aproxima dela no caixa e diz "Você devia levar essa", e aponta uma calça, e ela fica vermelha, vermelhíssima, nunca ninguém tinha feito um elogio verdadeiro, ela não sabia como agir...
CONTINUA.
Quem será esse estranho?
Por que ele carrega um casaco feminino?
Será que nossa heroína vai embora de mãos abanando?
Por que ela se sente assim tão feia?
Não preciso descrever Justina, cada um que ler imaginará a Justina que lhe cabe na cabeça.
Justina trabalhava num galpão, descarregando caminhões de cosméticos para a maior fábrica do país, era um bom trabalho, ela podia passar um bom tempo sozinha, longe de homens, mulheres, chefes, outros empregados, esse galpão era enorme, e o que ela fazia era transferir as caixas do lugar A ao lugar B, bem simples. Fato nº1: Ela era obrigada a encarar todas aquelas belas mulheres nas embalagens de cosméticos.
No seu tempo livre, gostava de ir até o shopping da cidade, entrava em lojas de roupa de grife (não da C&A, ou da Riachuelo, aquelas grifes que o vendedor te atende o tempo todo) e ficava experimentando dúzias de roupas: calças, vestidos, sapatos, acessórios, tudo. As vendedoras (Fato nº2: Justina só escolhia vendedoras) sempre elogiavam como uma roupa caía bem em seu corpo, ou como esse sapato ia bem com essa outra blusa, ou aquela outra bolsa que está na vitrine ia ficar tãaao bonita com esse Jeans, etc... a cada elogio, a parte que se amava entrava em transe, Justina encarava a vendedora, falava "É mesmo?", e a vendedora "Claro, o caimento dessa blusa é perfeito em você". Ao fechar a porta dos provadores e se olhar no espelho, um sentimento de culpa caía sobre ela "É a última vez que faço isso", ela pensava toda vez (Fato nº3: Parte dela se odiava por fazer isso). E depois, já com suas roupas de costume, ela fazia as vendedoras colocarem-nas no caixa e fazia sua pequena cena "Oh, deixei o cartão de crédito em casa, vou sacar o dinheiro e já volto, só tenho isso aqui" e deixava 20 reais no balcão, por dó das vendedoras, e por que assim, ela podia sustentar seu vício com uma culpa a menos para lidar.
Então os dias passavam, sempre numa luta interna, Justina ao se olhar no espelho em casa corria pro shopping, como se os elogios (mesmo que falsos, tanto faz) fossem a sua droga, como se isso fosse a única coisa que a fizesse se sentir bem, fazer o que, ela se sentia uma rainha quando duas mulheres vinham elogiá-la, trocar seus sapatos, ensiná-la a usar as roupas, era seu vício, mas terrivelmente errado.
Morava sozinha, num apartamento no centro da cidade, o apartamento era escuro, as luzes da cidade inundavam o quarto à noite, não deixando-a dormir, as únicas coisas de valor que Justina tinha eram um espelho de corpo inteiro e uma televisão, o espelho ficava ao lado da TV, para que ela se comparasse sempre com a estrela da novela, um modo muito cruel de tortura estética que Justina se auto-inflingia, enquanto tomava sorvete na frente do aparelho, muitas vezes adormecia com a roupa que chegou do trabalho, e chorava quase todas as noites, não por que nenhum homem ia querer um trubufu daqueles (palavras da própria), mas por que ela mesma nunca ia se aceitar.
O ano era 2007, Justina experimentava calças e sapatos na Opera Rock, notou um rapaz segurando um casaco feminino, que a olhava fixamente, na hora não pareceu lógico o jeito que aquele homem de uns 20 anos podia ver algo nela, continuou a experimentar as calças, cada vez mais apertadas e os sapatos cada vez mais vermelhos, e aquele homem continuava olhando, que falta de respeito. Ao sair de novo do provador, já com suas roupas normais, ela se preparava para a atuação, é aí que o homem se aproxima dela no caixa e diz "Você devia levar essa", e aponta uma calça, e ela fica vermelha, vermelhíssima, nunca ninguém tinha feito um elogio verdadeiro, ela não sabia como agir...
CONTINUA.
Quem será esse estranho?
Por que ele carrega um casaco feminino?
Será que nossa heroína vai embora de mãos abanando?
Por que ela se sente assim tão feia?

o começo me lembrou um pouco a Macabéa...
ResponderExcluirmas meu momento creep não me permite imaginar um final feliz...
cade a parte 2????
ResponderExcluirto esperando!