segunda-feira, 12 de julho de 2010

III.

Feira livre às quintas-feiras
tenho que desviar o caminho
das pessoas alegres conversando nas barracas
falando das pêras, das vizinhas, do tempo
e, ao mesmo tempo tentar não pisar numa manga podre

pelo quartão que eu passo tem um café chique
e espero ver Ela
como todas as quintas feiras
diminuo o passo ao passar na frente do nº52

atrás do balcão, segurando um pano verde
encarando o nada da quinta-feira vazia
parada, como a mais bela estátua
somente vivendo, um dia após o outro
não consigo nem sustentar o olhar

percebo que parei na rua
olhando pro chão, de frente para o café
ela nota o louco parado no meio da rua
e volta a encarar a quinta feira
eu saio para encarar a minha quinta feira

eu nunca entendi qual é a das quintas-feiras

um casal se beija e bloqueia a entrada
encaro
tô atrasado, dêem licença
e de repente sou um imbecil
o porteiro julga, o mundo julga

Nenhum comentário:

Postar um comentário