segunda-feira, 28 de junho de 2010

II.

Mais um dia na selva de pedra
faces animalescas na tv pela manhã
acompanhando o café da manhã
servido por uma garçonete apática
acompanhando a comida sem gosto

na rua um motoqueiro atropelou uma garota
de uns dezessete anos, saía do culto
alguns motoristas buzinam para liberar a rua
uns poucos ajudam
outros curtem musica country no radio

ninguém novo
ninguém muda
ninguém liga mesmo
amanhã tem show do Roberto Carlos na TV
ninguém espera pra ver

é quase natal
tudo fica iluminado
luzes verdes e vermelhas
um velho gordinho de barba sorri
venham sentar no meu colo

todas as festas que nem quero ir
cheias de gente que nem gosto
o escritório agora é cinza e verde e vermelho
a cobrança é a mesma
tenho que ser o melhor ou não sou ninguém

gente nova contratada
mulher, provavelmente vai querer minha vaga
pessoalmente eu não ligaria
terninho e salto
tão comum como pode ser

cumprimentando a todos na sala do café
sorrisos e apertos de mão
Jorge come a bunda dela com o olhar
Miranda olha com desdém a jovem
começa o teatro todo de novo

todos a deixaram com o café quente nas mãos
ela parece triste, sozinha
percebeu tudo no momento que viraram as costas
ela continua ali, bebendo o café
encostada num canto, esquecida

tec tec tec tec tec

tudo volta ao normal
ainda parece não ter fim.

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